1. DEFINIÇÃO DE PARACLETOLOGIA


Paracletologia é uma palavra formada por duas palavras gregas: paracletos (que significa.  Ajudador,  Consolador,  advogado)  e  Logia  (que  significa  estudo, doutrina).  A  Paracletologia  estuda  de  uma  forma  sistemática  tudo  o  que  se refere  ao  Espírito  Santo  (chamado  por  Jesus  de  Consolador).  A  Paracletologia também é conhecida como Pnematologia.


A  Paracletologia  divide‐se,  na  Bíblia  em  dois  períodos:  o  do  Antigo  e  do Novo Testamento.  No  AT,  as  atividades  e  as manifestações  do  Espírito  Santo  eram esporádicas,  específicas  e  em  tempos  distintos.  No  N.T.,  começa  no  dia  de Pentecostes,  quando  suas  atividades  se  concretizam  de  maneira  direta  e contínua através da Igreja. No AT, Ele se manifestava em circunstâncias especiais.


No N.T., veio para morar nos corações dos crentes e enche‐los do seu poder.


2. A DEIDADE DO ESPÍRITO SANTO 


2.1 O ESPÍRITO SANTO É DEUS:


Esta declaração é comprovada na Bíblia e na experiência humana. Ele não é um deus  entre os outros. As  escrituras  relatam um  episódio nos  primeiros dias da igreja, em  Jerusalém, quando Ananias e  Safira  tentaram enganá‐lo. Ele  revelou ao  apóstolo  Pedro  que  o  casal  mentia,  conforme  registra  Atos  5.3:  "Por  que encheu  Satanás  o  teu  coração,  para  que  mentisses  ao  Espírito  Santo?  Não


mentistes aos homens, mas a Deus".


A deidade do Espírito Santo está implícita na do Pai e do Filho. Ela é a mesma nas três  pessoas. Não  se  separa, mas  pertence  a mesma  essência  divina  do  único Deus.


 2.2 ATRIBUTOS DO ESPÍRITO SANTO


 Há três atributos pertencentes a deidade de cada uma das pessoas da Trindade que  são:  Onipotência,  Onisciência  e  Onipresença.  Estes  atributos  não  foram conferidos a anjos nem aos homens.


a) Onipotência: Por  onipotência  se  entende  que  todo  o  poder  que  há  no  Universo  físico  ou espiritual, tem sua origem em Deus.


O poder do Pai é o mesmo existente no Filho e no Espírito Santo. Então em sua onipotência, o Espírito Santo faz o que lhe apraz, realizando milagres e prodígios (Rm  15.19  por  força  de  sinais  e  prodígios,  pelo  poder  do  Espírito  Santo;  de maneira que, desde Jerusalém e circunvizinhanças até ao Ilírico, tenho divulgado o evangelho de Cristo,


b) Onisciência: Onisciência  vem  de  duas  palavras  latinas:  "OMINES"  que  significa  TUDO  e "SCIENTIA" que quer dizer CIÊNCIA. O Espírito Santo, do mesmo modo que o Pai e o  Filho,  tem  total  conhecimento de  todas  as  coisas.  Sua  sabedoria  é  infinita, singular  e  indescritível.  Ele  sabe  tudo  acerca  de  si  mesmo  e  do  que  criou  Sl139.2,11,13 (SENHOR, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me  levanto;  de  longe  penetras  os meus  pensamentos.  Esquadrinhas  o  meu andar e o meu deitar e conheces todos os meus caminhos. Ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, SENHOR, já a conheces toda). Conhece os homens profundamente 1 Rs 8.39 (ouve tu nos céus, lugar da tua habitação, perdoa, age e dá a cada um segundo todos os seus caminhos, já que lhe conheces o coração, porque  tu,  só  tu,  és  conhecedor  do  coração  de  todos  os  filhos  dos  homens;). Ninguém pode esconder dele coisa alguma. Nem um só pensamento nosso passa despercebido do Espírito Santo Jr 16.17 (Porque os meus olhos estão sobre todos os  seus  caminhos;  ninguém  se  esconde  diante  de mim,  nem  se  encobre  a  sua iniqüidade aos meus olhos).


c) Onipresença: O Espírito Santo penetra em todas as coisas e perscruta o nosso entendimento,


pois  ele  está  presente  em  toda  a  parte.  Ele  não  se  divide  em  várias manifestações, porque sua presença é total em cada lugar onde estiver: Sl 139.7‐10 ( Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá  estás  também;  se  tomo  as  asas  da  alvorada  e me  detenho  nos  confins  dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá.


 3. ESPÍRITO SANTO É UMA PESSOA


 3.1 A PERSONALIDADE DO ESPÍRITO SANTO


Um dos atributos da deidade é a personalidade que cada uma das três pessoas divinas  possui.  Às  vezes  atribuímos  à  personalidade  uma  forma  corpórea.


Entretanto,  Deus  é  Espírito,  sem  necessidade  de  corpo  material.  Identifica‐se como pessoa alguém que manifeste qualidades, como o  falar, o sentir e o  fazer alguma coisa racional.


 3.2 PRONOMES CONFERIDOS AO ESPÍRITO SANTO


 Em João 16.8,13,14 encontramos algumas vezes o pronome ele, aquele (no grego ekeinos) que  indicam a pessoa do Espírito Santo. Em  João 14.16, encontra‐se a expressão "outro Consolador". Ela, mais uma vez,  identifica a personalidade do Espírito  Santo.  A  palavra  "outro",  usada  por  Jesus,  no  grego  "ALLOS",  significa "outro do mesmo tipo". O Filho de Deus revelou‐se como pessoa, mas  falou de outra que Ele enviaria após sua subida para o céu.


Consolador no grego é "Paracleto" que significa:


1) chamado, convocado a estar do lado de alguém, . convocado a ajudar alguém


1a)  alguém  que  pleiteia  a  causa  de  outro  diante  de  um  juiz,  intercessor, conselheiro de defesa, assistente legal, advogado;


1b) pessoa que pleiteia a causa de outro com alguém, intercessor;


1b1) Cristo em sua exaltação a mão direita de Deus, súplica a Deus, o Pai, pelo perdão de nossos pecados;


1c) no sentido mais amplo, ajudador, amparador, assistente, alguém que presta


socorro;


1c1)  É Nome  dado  Santo  Espírito,  destinado  a  tomar  o  lugar  de  Cristo  com  os apóstolos  (depois  de  sua  ascensão  ao  Pai),  a  conduzi‐los  a  um  conhecimento mais profundo da verdade evangélica, a dar‐lhes a  força divina necessária para capacitá‐los  a  sofrer  tentações  e  perseguições  como  representantes  do  reino divino.


 3.3 ATRIBUTOS PESSOAIS DO ESPÍRITO SANTO


 Através  da  Bíblia,  o  Espírito  Santo  é  revelado  como  Pessoa,  com  sua  própria individualidade. Ele é uma Pessoa divina como o Pai e o Filho. O Espírito Santo não é mera influência ou poder. Ele tem atributos pessoais, a saber:


a) O Espírito Santo Pensa (Rm 8.27) E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos.


b)  O  Espírito  Santo  tem  Vontade  Própria  (1Co  12.11) Mas  um  só  e  o mesmo Espírito  realiza  todas  estas  coisas,  distribuindo‐as,  como  lhe  apraz,  a  cada  um, individualmente.


c) O Espírito Santo Sente Tristeza (Ef 4.30) E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.


 d) O Espírito  Santo  Intercede  (Rm 8.23) Também o Espírito,  semelhantemente, nos assiste em nossa  fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis.


e) O Espírito Santo Ensina (Jo 14.26) mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.


f)  Espírito  Santo  Fala  (Ap 2.7) Quem  tem ouvidos, ouça o que o  Espírito diz  às igrejas:  Ao  vencedor,  dar‐lhe‐ei  que  se  alimente  da  árvore  da  vida  que  se encontra no paraíso de Deus.


g) Espírito Santo Comanda (At 16.6,7) E, percorrendo a região frígio‐gálata, tendo sido  impedidos  pelo  Espírito  Santo  de  pregar  a  palavra  na  Ásia,  defrontando Mísia, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu. Espirito Santo é suscetível de trato pessoal:


 a) Alguém pode mentir para o Espírito Santo (At 5.3) Então, disse Pedro: Ananias, por  que  encheu  Satanás  teu  coração,  para  que  mentisses  ao  Espírito  Santo, reservando parte do valor do campo?


b)  Pode‐se  Blasfemar  contra  o  Espírito  Santo  (Mt  12.31)  Por  isso,  vos  declaro: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada.


 4. OS NOMES DO ESPÍRITO SANTO


 Os nomes do Espírito Santo nos  revelam muita coisa a  respeito de quem ele é. Embora o nome Espírito Santo não ocorra no Antigo Testamento, vários  títulos equivalentes são usados. Os principais nomes do Espírito Santo são:


a)  Espírito  de  Deus  de  Yahweh  (hb.  Ruach  YHWH),  ou,  conforme  consta  nas Bíblias  em  português,  "o  Espírito  do  Senhor".  Yahweh  significa  aquele  que  faz existir. O  título Senhor dos Exércitos é melhor  traduzido como "aquele que cria as hostes", tanto as hostes celestiais  (as estrelas, os anjos) quanto as hostes do povo  de Deus. O  Espírito  de  Yahweh  estava  ativo  na  criação,  conforme  revela Gênesis 1.2, com referência ao "Espírito de Deus" (hb. ruach 'elohîm).


 b) O  Espírito  de  Cristo.  Com  esse  título  é  acentuada  a  união  do  Espírito  Santo com Cristo. Como tal ele é a vida Rm 8.9 (Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse  tal não é dele),  traz  frutos de Cristo  (Fl. 1.11).  revela os mistérios de Cristo (Jo 14.16) e toma o lugar dos arrebatados na terra (Jo 14.16‐18).  Toda  e  qualquer  operação  do  Espírito  Santo  enfim,  é  para  glorificação  de Jesus Cristo;


 c) Espírito da Vida. O Espírito da vida Deus dá a cada crente ao nascer de novo, vida nova e eterna. Ele substitui a lei reinante do pecado e da morte com a lei da vida (Rm 8.2 ( Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado  e  da morte). O  que  estava morto  em  ofensas  e  pecados  (Ef  2.1;  2  Co 5.17), Ele vivifica no novo nascimento.


d)  Espírito  da Adoção  de  Filhos  Rm  8.15  (Porque  não  recebestes  o  espírito  de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção,  baseados  no  qual  clamamos:  Aba,  Pai.). O  conceito  bíblico  de  filiação perdeu‐se totalmente nos nossos dias, por causa da  idéia de "adoção".  Isto não quer  dizer  que  um  estranho  será  acolhido  como  criança  numa  família  e  usa  a seguir  o  nome  da  família.  É  antes  uma  transferência  legal  de  uma  criança  na condição de um  filho adulto ou uma  filha que alcançou a maioridade. O  termo melhor  hoje  seria  a  parceria.  Nós  fomos  acolhidos  na  família  divina,  enchidos pelo Seu Espírito e dotados com nova e eterna vida.


e) Espírito da Graça. Hb 10.29 (De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor  aquele  que  pisar  o  Filho  de Deus,  e  tiver  por  profano  o  sangue  do testamento,  com  que  foi  santificado,  e  fizer  agravo  ao  Espírito  da  graça?).  A Bíblia  qualifica  como  pecadores obstinados  estes,  que  pisam  com  os  pés  o Espírito  da  Graça.  Pelo  Espírito  da  graça  é  oferecida  livremente  a  todos  os homens a dádiva da  graça divina. Por  isso qualquer acréscimo humano,  justiça por obras e melhoramentos adâmicos são abominação para o Espírito Santo.


f) Espírito da Glória 1 Pe 4.14 (14 Se, pelo nome de Cristo, sois  injuriados, bem‐aventurados  sois,  porque  sobre  vós  repousa  o  Espírito  da  glória  e  de  Deus).


 Glória nesse caso tem a ver com adoração, honra, estima, elogio e dedicação que são  despertados  no  crente  pelo  Espírito  Santo.  Somente  podemos  adorar  e chegar  a  glória  de  Deus,  conforme  o  Espírito  Santo  nos  capacita  para  isto.  O demais é adoração imitada, não é revelação do Espírito da Glória. Quando Ele se manifesta numa reunião, percebe‐se sem chamara a atenção.


5. OS SÍMBOLOS DO ESPÍRITO SANTO


 Os  símbolos  oferecem  quadros  concretos  de  coisas  abstratas.  Os  símbolos  do Espírito  Santo  também  são  arquétipos.  Em  literatura  arquétipo  é  uma personagem,  tema ou  símbolo  comum a  várias épocas e  culturas. Em  todos os lugares,  o  vento  representa  forças  poderosas,  porém  invisíveis;  a  água  límpida que  flui  representa o poder e o  refrigério sustentador da vida a  todos que  têm sede,  física  e  espiritual;  o  fogo  representa  uma  força  purificadora  (como  a


purificação  de minérios)  ou  destruidora  (freqüentemente  citada  no  juízo.  Tais símbolos representam qualidades intangíveis porém genuínas.


a) Vento. A palavra hebraica ruach pode significar "sopro", "espírito" "ou vento". É  empregada  paralela  com  nephesh.  O  significado  básico  de  nephesh  é  "ser  vivente",  ou  seja,  tudo  que  têm  fôlego.  A  partir  daí  seu  alcance  semântico desenvolveu‐se a tal ponto de referir‐se a quase todos os aspectos emocionais e espirituais  do  ser  humano  vivente.  A  palavra  grega  pneuma  tem  um  alcance semântico quase  idêntico ao de ruach. O vento, como símbolo, fala da natureza


invisível do Espírito Santo, conforme  revela  João 3.8  (O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito). Podemos  ver e  sentir os efeitos do  vento  , mas ele próprio não é visto.


b) Água. A água, assim como o fôlego, é necessária ao sustento da vida. O fôlego e a água,  tão  vitais nas necessidades  físicas humanas,  são  igualmente  vitais no âmbito do espírito. Sem o  fôlego vivificante e as águas  vivas do Espírito Santo, nossa  vida espiritual não demoraria murchar e  ficar  sufocada. O  Espírito  Santo flui  da  palavra  como  águas  vivas  Jo  7.38,  39  (Quem  crer  em mim,  como  diz  a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao


Espírito que haviam de  receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento  não  fora  dado,  porque  Jesus  não  havia  sido  ainda  glorificado)  que sustentam e refrigeram o crente.


c) Fogo. O aspecto purificador do fogo é refletido claramente em Atos 2. No dia de Pentecostes  são  "línguas de  fogo" que marcam a  vinda do Espírito  (At 2.3). Esse símbolo é empregado uma só vez para retratar o batismo no Espírito Santo. O  aspecto  mais  amplo  do  fogo  como  elemento  purificador  encontra‐se  no pronunciamento de  João Batista:  "Ele  vos batizará  com o  Espírito  Santo e  com fogo..."  (Mt  3.11,12;  Lc  3.16,17).  As  palavras  de  João  Batista  referiam‐se mais


diretamente a separação entre o povo de Deus e os que têm rejeitado o Messias. Por outro  lado, o  fogo  ardente  e  purificador do  Espírito da  Santidade  também opera no crente (1 Ts 5.19).


d) Óleo. Zc 4.2‐6 (e me perguntou: Que vês? Respondi: olho, e eis um candelabro todo de ouro  e um  vaso de  azeite  em  cima  com  as  suas  sete  lâmpadas  e  sete tubos, um para cada uma das lâmpadas que estão em cima do candelabro. Junto a este, duas oliveiras, uma à direita do vaso de azeite, e a outra à sua esquerda. Então, perguntei ao anjo que falava comigo: meu senhor, que é isto? Respondeu‐  me  o  anjo  que  falava  comigo:  Não  sabes  tu  que  é  isto?  Respondi:  não, meu


senhor. Prosseguiu ele e me disse: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel: Não por  força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos.).


Desde os primórdios o azeite é usado primeiramente para ungir os sacerdotes de Yahweh,  e  depois,  os  reis  e  os  profetas. O  azeite  é  o  símbolo  da  consagração divina do crente para o serviço no Reino de Deus.


e) Pomba. Mt 3.16,17 (Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo). O  Espírito  Santo  desceu  sobre  Jesus  na  forma  de  uma  pomba.  A  pomba  é  o arquétipo  de mansidão  e  de  paz.  Ele  é manso  nas  tempestades  da  nossa  vida produzindo paz.


f) Selo. Ef 1.13 (em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação,  tendo nele  também crido,  fostes selados com o Santo Espírito da promessa)Nos dias bíblicos usava‐se um selo de cera como sinal de promessa e acordo. Atualmente a nossa assinatura na compra e venda pode ser comparada a isto. Na ocasião do novo nascimento o Espírito Santo põe sobre


nós  o  seu  selo  de  direito  de  propriedade.  Isto  é,  ao  mesmo  tempo,  uma promessa,  que  o  selado  tem  parte  na  consumada  obra  da  salvação. O  Espírito Santo garante assim a partir desse momento, o seu apoio e ajuda.


6. A OBRA DO ESPÍRITO SANTO. 


a) O Espírito Santo é o agente da salvação.


Nisto Ele convence‐nos do pecado (Jo 16.7,8 Mas eu vos digo a verdade: convém‐vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém,  eu  for,  eu  vo‐lo  enviarei.  Quando  ele  vier,  convencerá  o  mundo  do pecado, da justiça e do juízo) revela‐nos a verdade a respeito de Jesus (Jo 14.26 ), realiza o novo nascimento (Jo 3.3‐6), e faz‐nos membros do corpo de Cristo (1Co 12.13). Na conversão, nós, crendo em Cristo, recebemos o Espírito Santo (Jo 3.3‐6; 20.22) e nos tornamos co‐participantes da natureza divina (2Pe 1.4);


b) O Espírito Santo é o agente da nossa santificação;


Na conversão, o Espírito passa a habitar no crente, que começa a viver sob sua influência  santificadora  (Rm  8.9;  1Co  6.19).  Note  algumas  das  coisas  que  o Espírito Santo faz, ao habitar em nós. Ele nos santifica, i.e., purifica, dirige e leva‐nos a uma vida santa,  libertando‐nos da escravidão ao pecado. Ele testifica que somos filhos de Deus (Rm 8.16), ajuda‐nos na adoração a Deus e na nossa vida de oração, e  intercede por nós quando clamamos a Deus  (Rm 8.26,27). Ele produz em nós as qualidades do caráter de Cristo, que O glorificam (Gl 5.22,23).


c) O Espírito Santo é o agente divino para o serviço do Senhor,  Revestindo os crentes de poder para realizar a obra do Senhor e dar testemunho dEle. Esta obra do Espírito Santo relaciona‐se com o batismo ou com a plenitude do  Espírito.  Quando  somos  batizados  no  Espírito,  recebemos  poder  para testemunhar de Cristo e  trabalhar de modo eficaz na  igreja e diante do mundo (At 1.8). Recebemos a mesma unção divina que desceu sobre Cristo (Jo 1.32,33) e sobre os discípulos (At 2.4), e que nos capacita a proclamar a Palavra de Deus (At1.8;  4.31)  e  a operar milagres  (At  2.43;  3.2‐8;  5.15;  6.8;  10.38). Para  realizar o trabalho do Senhor, o Espírito Santo outorga dons espirituais aos  fiéis da  igreja para edificação e fortalecimento do corpo de Cristo (1Co 12—14). Estes dons são uma manifestação do Espírito através dos santos, visando ao bem de todos (1Co 12.7‐11).


7. O BATISMO NO ESPÍRITO SANTO


a) Ser Cheio do Espírito: Todo  o  cristão  recebe  o  Espírito  Santo  no momento  da  conversão  e  pode  ser cheio dele sem ser batizado no Espírito Santo O Espírito Santo nos convence do Pecado Jo 16.8 (E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo). O Espírito Santo habita em nós 1 Co 6.19 (Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do  Espírito  Santo, que habita  em  vós, proveniente de Deus,  e que não sois de vós mesmos?) Nós fomos  selados  com  o  Espírito  Santo  Ef  1.13,14  (em  quem  também  vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor  da  nossa  herança,  ao  resgate  da  sua  propriedade,  em  louvor  da  sua glória);  2  Co  1.21,22  (Mas  aquele  que  nos  confirma  convosco  em  Cristo  e  nos ungiu é Deus, que  também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração);  Ef 4.30  (E não entristeçais o  Espírito de Deus, no qual  fostes  selados para o dia da redenção)


Devemos buscar ser cheios Ef 5.18 (E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei‐vos do Espírito) Exemplo de pessoas que foram cheias do Espírito Santo e não eram, batizadas: Isabel Lc 1.41 (E aconteceu que, ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre; e Isabel foi cheia do Espírito Santo) Zacarias  Lc  1.67  (E  Zacarias,  seu  pai,  foi  cheio  do  Espírito  Santo  e  profetizou, dizendo: (Simeão Lc 2.25 (Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão; homem este justo  e piedoso que  esperava  a  consolação de  Israel;  e o  Espírito  Santo  estava sobre ele). João Batista Lc 1.15 (porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe.)


b) Ser batizado no Espírito Santo


At  1.5  "Porque,  na  verdade,  João  batizou  com  água, mas  vós  sereis  batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias."


A respeito do batismo no Espírito Santo, a Palavra de Deus ensina o seguinte: Jesus ordenou aos discípulos que não começarem a testemunhar até que fossem batizados  no  Espírito  Santo  e  revestidos  do  poder  do  alto  Lc  24.49  (E  eis  que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que  do  alto  sejais  revestidos  de  poder.)  At  1.4,5,8  (E,  estando  com  eles, determinou‐lhes que não se ausentassem de  Jerusalém, mas que esperassem a


promessa  do  Pai,  que  (disse  ele)  de  mim  ouvistes.  Porque,  na  verdade,  João batizou  com  água, mas  vós  sereis  batizados  com  o  Espírito  Santo,  não muito depois  destes  dias. Mas  recebereis  a  virtude  do  Espírito  Santo,  que  há  de  vir sobre vós; e ser‐me‐eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.


O  batismo  no  Espírito  Santo  é  uma  obra  distinta  e  à  parte  da  regeneração, também por Ele efetuada. No mesmo dia em que Jesus ressuscitou, Ele assoprou sobre seus discípulos e disse: "Recebei o Espírito Santo" (Jo 20.22), indicando que a  regeneração  e  a  nova  vida  estavam‐lhes  sendo  concedidas.  Depois,  Ele  lhes disse  que  também  deviam  ser  "revestidos  de  poder"  pelo  Espírito  Santo  (Lc 24.49; cf. At 1.5,8).


O batismo no Espírito Santo outorgará ao crente ousadia e poder celestial para este realizar grandes obras em nome de Cristo e ter eficácia no seu testemunho e pregação At 1.8 (Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós;  e  ser‐me‐eis  testemunhas  tanto  em  Jerusalém  como  em  toda  a  Judéia  e Samaria e até aos confins da terra. At 4.31; 33 (Tendo eles orado, tremeu o lugar onde  estavam  reunidos;  todos  ficaram  cheios  do  Espírito  Santo  e,  com intrepidez,  anunciavam  a  palavra  de  Deus.  Com  grande  poder,  os  apóstolos davam  testemunho  da  ressurreição  do  Senhor  Jesus,  e  em  todos  eles  havia abundante graça). O livro de Atos descreve o falar noutras línguas como o sinal inicial do batismo no Espírito  Santo. No  dia  de  Pentecostes At  2.4  (Todos  ficaram  cheios  do  Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem. Na casa de Cornélio At 10.44‐46 (E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão,  todos quantos  tinham vindo com Pedro, maravilharam‐se de que o dom  do  Espírito  Santo  se  derramasse  também  sobre  os  gentios.  Porque  os ouviam  falar  em  línguas  e magnificar  a  Deus. Os  cristãos  de  Éfeso  At  19.6  (E, impondo‐lhes Paulo  as mãos,  veio  sobre eles o  Espírito  Santo; e  tanto  falavam em línguas como profetizavam).


Esse poder não  se  trata de uma  força  impessoal, mas de uma manifestação do Espírito Santo, na qual a presença, a glória e a operação de Jesus estão presentes com seu povo (Jo 14.16‐18; 16.14; 1Co 12.7).


8. OS DONS ESPIRITUAIS


Uma das maneiras do Espírito Santo manifestar‐se é através de uma variedade de  dons  espirituais  concedidos  aos  crentes  (12.7‐11).  Essas  manifestações  do Espírito visam à edificação e à santificação da igreja (12.7; ver 14.26 nota). Esses dons e ministérios não são os mesmos de Rm 12.6‐8 e Ef 4.11, mediante os quais o  crente  recebe  poder  e  capacidade  para  servir  na  igreja  de modo  mais permanente.  A  lista  em  12.8‐10  não  é  completa.  Os  dons  aí  tratados  podem


operar em conjunto, de diferentes maneiras.


As  manifestações  do  Espírito  dão‐se  de  acordo  com  a  vontade  do  Espírito (12.11), ao surgir a necessidade, e também conforme o anelo do crente na busca dos dons (12.31; 14.1) Certos  dons  podem  operar  num  crente  de  modo  regular,  e  um  crente  pode receber  mais  de  um  dom  para  atendimento  de  necessidades  específicas.  O crente deve desejar "dons", e não apenas um dom (12.31; 14.1).


É  antibíblico  e  insensato  se  pensar  que  quem  tem  um  dom  de  operação exteriorizada (mais visível) é mais espiritual do que quem tem dons de operação mais  interiorizada,  i.e., menos visível. Também, quando uma pessoa possui um dom espiritual, isso não significa que Deus aprova tudo quanto ela faz ou ensina. Não  se  deve  confundir  dons  do  Espírito,  com  o  fruto  do  Espírito,  o  qual  se relaciona mais diretamente com o caráter e a santificação do crente (Gl 5.22,23).


Satanás  pode  imitar  a  manifestação  dos  dons  do  Espírito,  ou  falsos  crentes disfarçados como servos de Cristo podem fazer o mesmo (Mt 7.21‐23; 24.11, 24; 2Co 11.13‐15;  2Ts  2.8‐10).  O  crente  não  deve  dar  crédito  a  qualquer manifestação espiritual, mas deve "provar se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo" (1Jo 4.1; cf. 1Ts 5.20,21; ver o estudo.


8.1 RELAÇÃO DOS DONS ESPIRITUAIS


Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; e a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; e a outro, a operação de maravilhas; e a outro, a profecia; e a outro, o dom de discernir os espíritos; e a outro, a variedade de línguas; e a outro, a interpretação das línguas.


Em  1Co  12.8‐10,  o  apóstolo  Paulo  apresenta  uma  diversidade  de  dons  que  o Espírito  Santo  concede  aos  crentes.  Nesta  passagem,  ele  não  descreve  as características  desses  dons,  mas  noutros  trechos  das  Escrituras  temos  ensino sobre os mesmos.


8.1.1 DONS DE REVELAÇÃO


a) Dom da Palavra da Sabedoria (12.8): Trata‐se  de  uma  mensagem  vocal  sábia,  enunciada  mediante  a  operação sobrenatural do Espírito Santo. Tal mensagem aplica a  revelação da Palavra de


Deus ou a sabedoria do Espírito Santo a uma situação ou problema específico Ex.: At 6.10 Não podiam resistir a sabedoria com que Estevão falava; Não  se  trata  aqui  da  sabedoria  comum  de  Deus,  para  o  viver  diário,  que  se obtém pelo diligente estudo e meditação nas coisas de Deus e na sua Palavra, e pela oração (Tg 1.5,6).


b) Dom da Palavra do Conhecimento (12.8): Trata‐se  de  uma  mensagem  vocal,  inspirada  pelo  Espírito  Santo,  revelando conhecimento a respeito de pessoas, de circunstâncias, ou de verdades bíblicas. Freqüentemente, este dom tem estreito relacionamento com o de profecia Ex.:  (At  5.1‐10)  Pedro  obteve  o  conhecimento  do  que Ananias  e  Safira  haviam feito


c) Dom de Discernimento de Espíritos (12.10): Trata‐se  de  uma  dotação  especial  dada  pelo  Espírito,  para  o  portador  do  dom discernir  e  julgar  corretamente  as  profecias  e  distinguir  se  uma  mensagem provém do Espírito Santo ou não  (1Jo 4.1 Amados, não deis crédito a qualquer


espírito;  antes, provai os  espíritos  se procedem de Deus, porque muitos  falsos profetas têm saído pelo mundo fora.).


8.1.2 DONS DE PODER


 a) Dom da Fé (12.9): Não  se  trata  da  fé  para  salvação,  mas  de  uma  fé  sobrenatural  especial,


comunicada  pelo  Espírito  Santo,  capacitando  o  crente  a  crer  em  Deus  para  a realização de coisas extraordinárias e milagrosas. É a fé que remove montanhas (Mc  11.22‐24)  e  que  freqüentemente  opera  em  conjunto  com  outras manifestações do Espírito, tais como as curas e os milagres.


b) Dons de Curas (12.9): Esses dons são concedidos à igreja para a restauração da saúde física, por meios divinos e sobrenaturais. Ex.: At 3.6‐8 A cura de um coxo na porta do templo. O plural ("dons") indica curas de diferentes enfermidades e sugere que cada ato de cura vem de um dom especial de Deus. Os dons de curas não são concedidos a todos os membros do corpo de Cristo (cf. 12.11,30 "11 Mas um só e o mesmo Espírito  opera  todas  essas  coisas,  repartindo  particularmente  a  cada  um  como quer"; 30"Têm todos o dom de curar? Falam todos diversas línguas? Interpretam todos?"),  todavia,  todos  eles  podem  orar  pelos  enfermos.  Havendo  fé,  os enfermos serão curados


Pode também haver cura em obediência ao ensino bíblico de Tg 5.14‐16 (ver Tg 5.15 notas).


c) Dom de Operação de Milagres (12.10): Trata‐se  de  atos  sobrenaturais  de  poder,  que  intervêm  nas  leis  da  natureza. Incluem atos divinos em que se manifesta o  reino de Deus contra Satanás e os espíritos malignos. Ex.: Mt 8.26,27 E ele disse‐lhes: Por que temeis, homens de pequena fé? Então,


levantando‐se, repreendeu os ventos e o mar, e seguiu‐se uma grande bonança. E  aqueles  homens  se maravilharam,  dizendo:  Que  homem  é  este,  que  até  os ventos e o mar lhe obedecem?


8.1.3 DONS DE INSPIRAÇÃO 


a) Dom de Profecia (12.10): É  preciso  distinguir  a  profecia  aqui  mencionada,  como  manifestação


momentânea  do  Espírito  da  profecia  como  dom  ministerial  na  igreja, mencionado  em  Ef  4.11.  Como  dom  de  ministério,  a  profecia  é  concedida  a apenas alguns crentes, os quais servem na igreja como ministros profetas. Como manifestação  do  Espírito,  a  profecia  está  potencialmente  disponível  a  todo cristão  cheio  dEle  (At  2.16‐18).  Quanto  à  profecia,  como  manifestação  do


Espírito, observe o seguinte:


Trata‐se de um dom que capacita o crente a transmitir uma palavra ou revelação diretamente de Deus, sob o impulso do Espírito Santo (14.24,25, 29‐31) Tanto  no AT,  como  no N.T.,  profetizar  não  é  primariamente  predizer  o  futuro, mas  proclamar  a  vontade  de  Deus  e  exortar  e  levar  o  seu  povo  à  retidão,  à fidelidade e à paciência. A mensagem profética pode desmascarar a condição do coração  de  uma  pessoa  (1  Co  14.25  tornam‐se‐lhe manifestos  os  segredos  do coração,  e,  assim,  prostrando‐se  com  a  face  em  terra,  adorará  a  Deus, testemunhando que Deus está, de  fato, no meio de vós), ou prover edificação, exortação, consolo, advertência e julgamento (1 Co 14.3 Mas o que profetiza fala aos homens, edificando, exortando e consolando.


A  igreja  não  deve  ter  como  infalível  toda  profecia  deste  tipo,  porque muitos falsos  profetas  estarão  na  igreja  (1Jo  4.1).  Daí,  toda  profecia  deve  ser  julgada quanto à sua autenticidade e conteúdo (1Ts 5.20,21 Não desprezeis as profecias;


julgai todas as coisas, retende o que é bom). Ela deverá enquadrar‐se na Palavra de  Deus  (1Jo  4.1),  contribuir  para  a  santidade  de  vida  dos  ouvintes  e  ser transmitida por alguém que de fato vive submisso e obediente a Cristo (12.3). O dom de profecia manifesta‐se segundo a vontade de Deus e não a do homem. Não há no N.T. um só texto mostrando que a  igreja de então buscava revelação


ou  orientação  através  dos  profetas.  A  mensagem  profética  ocorria  na  igreja somente quando Deus tomava o profeta para isso.


b) Dom de Variedades de Línguas (12.10): No  tocante  às  "línguas"  (gr.  glossa,  que  significa  língua)  como  manifestação sobrenatural do Espírito, notemos os seguintes fatos:  Essas  línguas podem  ser humanas como as que os discípulos  falaram no dia de Pentecostes (At 2.4‐6), ou uma língua desconhecida na terra, entendida somente por Deus (1 Co 14.2 Pois quem fala em outra  língua não fala a homens, senão a Deus, visto que ninguém o entende, e em espírito fala mistérios).


A  língua  falada  através  deste  dom  não  é  aprendida,  e  quase  sempre  não  é entendida,  tanto por quem  fala como pelos ouvintes  (1 Co 14.14,16 Porque, se eu  orar  em  outra  língua,  o meu  espírito  ora  de  fato, mas  a minha mente  fica infrutífera.  16  E,  se  tu  bendisseres  apenas  em  espírito,  como  dirá  o  indouto  o amém depois da tua ação de graças? Visto que não entende o que dizes;) O falar noutras  línguas como dom abrange o espírito do homem e o Espírito de Deus,  que  entrando  em  mútua  comunhão,  faculta  ao  crente  a  comunicação direta com Deus (i.e., na oração, no  louvor, no bendizer, na ação de graças e na oração), Línguas  estranhas  faladas  no  culto devem  ser  seguidas  de  sua  interpretação, também  pelo  Espírito,  para  que  a  congregação  conheça  o  conteúdo  e  o significado  da mensagem  (1  Co  14.,  27,28. No  caso  de  alguém  falar  em  outra língua,  que  não  sejam  mais  do  que  dois  ou  quando  muito  três,  e  isto


sucessivamente,  e  haja  quem  interprete. Mas,  não  havendo  intérprete,  fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus.) Deve haver ordem quanto ao  falar  em  línguas  em  voz  alta  durante  o  culto.  Quem  fala  em  línguas  pelo Espírito, nunca fica em "êxtase" ou "fora de controle".


c) Dom de Interpretação de Línguas (12.10): Trata‐se da capacidade concedida pelo Espírito Santo, para o portador deste dom compreender e transmitir o significado de uma mensagem dada em  línguas. Tal mensagem  interpretada  para  a  igreja  reunida,  pode  conter  ensino  sobre  a


adoração e a oração, ou pode ser uma profecia. Toda a congregação pode assim desfrutar  dessa  revelação  vinda  do  Espírito  Santo.  A  interpretação  de  uma mensagem em  línguas pode  ser um meio de edificação da congregação  inteira, pois toda ela recebe a mensagem. A interpretação pode vir através de quem deu a mensagem  em  línguas, ou de outra pessoa. Quem  fala  em  línguas deve orar para que possa  interpretá‐las  (1 Co 14.13 Pelo que, o que  fala em outra  língua deve orar para que a possa interpretar)


9. O FRUTO DO ESPÍRITO


Em contraste com as obras da carne, temos o modo de viver  íntegro e honesto que  a  Bíblia  chama  "o  fruto  do  Espírito".  Esta maneira  de  viver  se  realiza  no crente à medida que ele permite que o Espírito dirija e influencie sua vida de tal maneira que ele (o crente) subjugue o poder do pecado, especialmente as obras da carne, e ande em comunhão com Deus (ver Rm 8.5‐14 nota; 8.14 nota; cf. 2Co 6.6; Ef 4.2,3; 5.9; Cl 3.12‐15; 2Pe 1.4‐9). O fruto do Espírito inclui:


a) ÁGAPE – AMOR: Caridade"  (gr. ágape),  i.e., o  interesse e a busca do bem maior de outra pessoa sem nada querer em  troca  (1 Co 13.4‐8 O amor é paciente, é benigno; o amor não  arde  em  ciúmes,  não  se  ufana,  não  se  ensoberbece,  não  se  conduz inconvenientemente,  não  procura  os  seus  interesses,  não  se  exaspera,  não  se ressente do mal; não se alegra com a  injustiça, mas  regozija‐se com a verdade; tudo  sofre,  tudo  crê,  tudo  espera,  tudo  suporta.  O  amor  jamais  acaba;  mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo  línguas, cessarão; havendo ciência,


passará) O amor é o solo onde são cultivadas todas as demais virtudes espirituais.


O  amor  é  a  prova  da  espiritualidade  e  tem  inicio  na  regeneração  (1  Jo  4.7‐8). Amados,  amemo‐nos uns  aos outros, porque o  amor procede de Deus;  e  todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor. O  amor  consiste  em  querer  para  os  outros  aquilo  que  queremos  par  nos mesmos.  É  a  dedicação  ao  próximo.  Mateus  7:12  Portanto,  tudo  o  que  vós quereis que os homens vos façam, fazei‐lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.


b) CHARA – ALEGRIA: Trata‐se  da  felicidade  do  Espírito,  qualidade  de  vida  que  é  graciosa  e  bondosa caracterizada pela boa vontade, generosa nas dádivas aos outros, por causa de


uma correta relação com Deus. Deus não aprecia a duvida e o desânimo. Também o abomina a doutrina ousada, o pensamento melancólico e  tristonho. Deus gosta de corações animados.  (2Co


6.10  "entristecidos, mas  sempre  alegres;  pobres, mas  enriquecendo  a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo.)


A  alegria  cristã,  entretanto  não  é  uma  emoção  artificial. Antes  é  uma  ação  do Espírito de Deus no espírito humano é a sensação de alegria baseada no amor, na graça,  nas  bênçãos,  nas  promessas  e  na  presença  de Deus,  bênçãos  estas  que pertencem  àqueles  que  crêem  em  Cristo  1  Pe  1.8  Jesus  Cristo;  a  quem,  não havendo  visto,  amais;  no  qual,  não  vendo  agora,  mas  crendo,  exultais  com alegria indizível e cheia de glória,


c) EIRENE – PAZ: A queda do homem no pecado destruí  a paz,  a paz  com Deus,  com os outros, com o próprio ser e com a própria consciência.


Foi através da instrumentalidade da cruz que Deus estabeleceu a paz. Portanto, a paz  envolve  muito  mais  do  que  uma  tranqüilidade  intima,  que  prevalece  a respeito das  tempestades externas. Antes,  trata‐se de uma qualidade espiritual de  origem  cósmica  e  pessoal  produzida  pela  reconciliação  e  pelo  perdão  dos pecados.


A paz é o contrario do ódio, da contenda, da  inveja dos excessos de tudo o que são obras da carne.


Paz é a quietude de coração e mente, baseada na convicção de que tudo vai bem entre  o  crente  e  seu  Pai  celestial  (Fp  4.7  E  a  paz  de Deus,  que  excede  todo  o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.


d) MAKROTHUMIA – LONGANIMIDADE: Quando  é  uma  qualidade  atribuída  a  Deus,  significa  que  ele  tolera pacientemente  todas  as  iniquidades  do  homem,  não  deixando  arrebatar  por explosões de ira.


A  longanimidade  é  a  paciência  que  nos  permite  subjugar  a  ira  e  o  sendo  de contenda, tolerando as injúrias.


Longanimidade  é  a  perseverança,  paciência,  ser  tardio  para  irar‐se  ou  para  o desespero  (Ef  4.1,2 Rogo‐vos, pois,  eu, o prisioneiro  no  Senhor, que  andeis de modo  digno  da  vocação  a  que  fostes  chamados,  com  toda  a  humildade  e mansidão, com longanimidade, suportando‐vos uns aos outros em amor).


e) CHRESTOTES – BENIGNIDADE:Significa  gentileza,  bondade.  Esse  termo  grego  significa  também  excelência  de caráter, honestidade. O crente que a possui esse é gracioso e gentil para com seu semelhante não se mostrando ser inflexível e exigente.


 Ser Benigno é não querer magoar ninguém, nem lhe provocar dor (Ef 4.32 Antes, sede  uns  para  com  os  outros  benignos,  compassivos,  perdoando‐vos  uns  aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou).


f) AGATHOSUNE – BONDADE: Uma pessoa bondosa quando se dispõe a ajudar aqueles que tem necessidade.


Podemos observar a  vida  terrena  inteira de  Jesus de Nazaré,  vivida em meio a atos  de  bondade  para  com  os  outros.  Ora,  para  que  o  crente  se  mostre supremamente bondoso, precisa contar com auxílio do Espírito Santo.


Bondade é a expressão máxima do amor cristão. No grego, Agathosune refere‐se ao homem bom, cuja generosidade brota do coração. Ela é a verdadeira prática do bem. É o amor em ação  (Gl 6.10 Por  isso, enquanto  tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé).


g) PISTIS – FÉ: Significa  tanto  confiança  como  fidelidade.  A  fé  de  parceria  com  o arrependimento,  forma  a  conversão.  A  entrega  da  alma,  as  mãos  de  Cristo alicerçado sobre o conhecimento espiritual.


A  fé  vitalizada  pelo  amor,  pois  do  contrário,  não  será  a  verdadeira  fé  sob hipótese alguma.


Fé  é  lealdade  constante  e  inabalável  a  alguém  com  quem  estamos  unidos  por promessa, compromisso, fidedignidade e honestidade


h) PRAUTES – MANSIDÃO: Para  Aristóteles,  essa  característica  era  um  vicio  de  deficiência,  e  não  uma virtude. Aristóteles encarava tal realidade, como uma auto‐depreciação. Na verdade mansidão  trata‐se de uma  submissão do homem para com Deus e, em  seguida  para  com  o  homem.  A  mansidão  é  o  resultado  da  verdadeira humildade  por  causa  do  reconhecimento  alheio,  com  a  recusa  de  nos considerarmos superiores.


 Mansidão  é moderação,  associada  à  força  e  à  coragem;  descreve  alguém  que pode  irar‐se  com  eqüidade  quando  for  necessário,  e  também  humildemente submeter‐se  quando  for  preciso  (Jesus  em  Mt  11.23  repreende  duramente Carfanaum  "Tu, Cafarnaum,  elevar‐te‐ás, porventura,  até  ao  céu? Descerás  até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje "e no v. 29 diz que devemos ser mansos  como  ele Mt  11.29  2Tomai  sobre  vós o meu  jugo  e  aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.


i) EGKRATEIA ‐ TEMPERANÇA ‐ DOMÍNIO PRÓPRIO: Temperança é o  controle ou domínio  sobre nossos próprios desejos e paixões, inclusive a fidelidade aos votos conjugais; também a pureza (1Co 7.9; Tt 1.8; 2.5). Na passagem de 1 Co 7.9 essa palavra é usada em relação ao controle do impulso sexual ( Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado.


Mas  em 1 Co 9.25  refere‐se  a  toda  forma de  autodisciplina  (Todo  atleta  em tudo  se  domina;  aqueles,  para  alcançar  uma  coroa  corruptível;  nós,  porém,  a incorruptível. Parece que Paulo se utiliza dessa palavra, neste contesto, dando a entender aquele autocontrole que obtém sobre os vícios alistados em Gl 5.19‐21.


Os filósofos estóicos percebiam claramente a verdade expressa por essa virtude de  domínio  próprio.  Eles  procuravam  fazer  com  que  a  razão  dominasse  a  vida inteira, controlando as paixões e firmando a lama. O ensino final de Paulo sobre o fruto do Espírito é que não há qualquer restrição quanto ao modo de viver aqui  indicado. O crente pode — e  realmente deve —praticar essas virtudes continuamente. Nunca haverá uma lei que lhes impeça de viver segundo os princípios aqui descritos.